Como lidar com o nascimento de dentes do bebê?

A fase de nascimento de dentes do bebê costuma ser caracterizada por algumas intercorrências que tiram o sono dos pais. Por isso é muito comum que eles busquem ajuda do pediatra para lidar com os incômodos.


O processo de nascimento dos primeiros dentes da criança ocorre, em média, entre os 6 meses aos 3 anos de idade. Nesse período, é comum o bebê passar por uma intensa salivação, aumento de irritabilidade, levar bastante a mãozinha na boca e sentir aumento da temperatura do corpo. 


Inclusive, você sabia que o nascimento de dentes do bebê já esteve ligado à mortalidade infantil? Hoje essa associação já parece bastante exagerada, mas ainda mantém um “residual” de que o nascimento do dente pode resultar em sintomas graves. Isso nada mais é que um mito. Mas, de família em família, o mito acaba se tornando um senso comum.


A fase de nascimento da dentição deixa os pais à flor da pele, que raramente encaram como mais um marco de desenvolvimento. Afinal, febre e mudança no comportamento do bebê assustam e mudam a rotina da família.


E é sobre isso que vamos abordar neste artigo. Ao final dele, você pode comentar se o conteúdo te ajuda a orientar pais a lidarem com o processo de nascimento de dentes do bebê. Vamos lá?

A salivação e mão na boca indica o nascimento dos dentes do bebê? 


Entender o que acontece com o bebê nessa fase pode ajudar você, pediatra, a acalmar os pais. Por exemplo, é comum que nessa fase ocorra muita salivação e o bebê fique o tempo inteiro com a mão na boca. 


No entanto, é importante orientar as famílias que nos 2 primeiros anos da criança nós temos o que chamamos de “fase oral”, como bem sabemos, faz parte do desenvolvimento do bebê desde seu nascimento. Essa é a etapa de exploração do ambiente, onde o bebê experimenta sensações, gostos e texturas. Portanto, ela não tem relação direta com a dentição, como muitas famílias acreditam. 


A salivação também é um processo fisiológico que ocorre ao longo dos primeiros meses, a criança começa a produzir mais saliva e também começa a lidar com essa produção, a administrar esse líquido que ela mesma está produzindo. 


Nesse contexto, salivação e mão na boca não necessariamente significam nascimento dos dentes, mas são sinais característicos dessa fase sim. 

E a febre é um sintoma de erupção dentária? 

A princípio não existe evidência científica que comprove que a febre é um sinal diretamente relacionado ao nascimento de dente das crianças. No entanto, é evidenciado que ela pode levar a um aumento da temperatura e também pode envolver outros processos que culminam na febre. Por isso, caso pais perguntem se o nascimento do dente dá febre, o indicado é responder: “não seria a primeira hipótese, teríamos que descartar outras causas”.


Por exemplo, é certo que no processo de erupção dos dentes há inflamação da gengiva. E, por ser inflamação, pode causar um aumento de temperatura no corpo. Mas não é regra que aconteça com todos os bebês. 


O aumento da temperatura corporal pode deixar a criança irritada e desanimada, independentemente da idade. Porém, podem ser outras as causas da febre na criança. 


Os seis meses de idade, quando comumente nascem os primeiros dentinhos, também é o momento da introdução alimentar, isso também pode levar a uma mudança na rotina e comportamento. Além disso, ele estará na fase oral até os 24 meses de vida e não é impossível que, por acidente, consuma produtos nocivos à sua saúde e que causem febre. 


A ida para a creche ou para o pré-escolar – em que o contato com outras crianças e adultos, o deixa mais exposto a vírus, bactérias e a outras doenças – também precisa ser considerada na avaliação do pediatra sobre as causas de uma febre.


O que queremos lembrar com tudo isso é que a causa de uma febre pode ser multifatorial. E, embora a febre coincida com o período de nascimento de dentes no bebê, um evento não precisa estar diretamente ligado a outro. 


Portanto, a febre leve pode ser um indicativo do dente nascendo se for associada à inflamação da gengiva, mas também pode ser uma reação do organismo do bebê a outro problema a ser investigado.

O que o pediatra deve fazer nesses casos? 

Além da salivação insistente, da febre e da irritabilidade, os pais costumam relatar diarreia, assadura e dor no ouvido do bebê durante a fase de nascimento dos dentinhos. 


Por isso, tanto pais quanto pediatras precisam ficar atentos ao que o bebê está tentando “dizer”. Isso sem alarde e sem gerar mais preocupação para a família, mas com devida empatia com esse momento de dúvida.


Em caso de sintomas mais intensos ou persistentes, o pediatra precisa orientar que os pais redobrem a atenção e cuidados relacionados, eventualmente sendo necessário avaliação médica. 


Além disso, é importante que o pediatra aproveite esse momento para orientar o acompanhamento com odontopediatra para já orientar quanto higiene e cuidados com os novos dentinhos. 


Nesse contexto, sugerimos encontrar dentistas parceiros que você possa recomendar aos familiares das crianças nessa fase importante de formação dos primeiros dentes. Assim, você garante o atendimento correto e deixa uma família mais tranquila e bem acompanhada.


Gostou do nosso artigo? Não deixe de se inscrever em nossa newsletter e ficar por dentro das novidades do nosso blog e receber conteúdos exclusivos!