Criptorquidia em Bebês: Orientações para identificação, avaliação e manejo

Uma queixa muito comum em consultório é a Criptorquidia em bebês, condição em que um ou ambos os testículos não descem para a bolsa escrotal antes do nascimento, ou nos primeiros meses de vida. 

Com possíveis prejuízos à fertilidade, à vida social e até riscos de doenças futuras relacionadas, essa anormalidade congênita sexual masculina pode ser detectada no consultório do pediatra geral e o diagnóstico precoce pode ser crucial. 

Por isso, a Eludivila Especialização Pediátrica criou este artigo, revisado pelo Cirurgião Pediátrico Elber Rafael Deffendi Nordi, CRM 126.503, para elucidar as dúvidas em torno da criptorquidia em bebês e te ajudar a orientar os pais e cuidadores adequadamente. 

O que é Criptorquidia?

A criptorquidia é a ausência dos testículos (ambos ou apenas um) na sua localização normal, dentro do saco escrotal. Essa condição acontece ainda dentro do útero ou após o nascimento, nos primeiros meses de vida.

Os testículos “não descidos” ou criptorquídicos podem estar localizados na região intra-abdominal, onde são formados durante a gestação, na região inguinal, na raiz escrotal ou mesmo nem terem sido formados. 

Tipos de Criptorquidia

Existem diferentes tipos de criptorquidia em bebês:

  • Unilateral, com apenas um testículo afetado;
  • Bilateral, quando ambos os testículos são afetados;
  • Testículo inexistente.

Quais as causas e os fatores de risco associados?

A descida dos testículos à bolsa escrotal acontece a partir do terceiro mês de gestação, quando eles se deslocam da região abdominal para a escrotal. Por algum motivo, ainda desconhecido, esse movimento é paralisado, o que leva à criptorquidia.

Embora não se conheça a causa, existem fatores de risco associados, que podem ampliar as chances de desenvolvimento do problema. É o caso de:

  • Bebês prematuros, que nascem antes da total migração dos testículos ao local correto;
  • História familiar;
  • Condições médicas pré-existentes

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Sinais e sintomas típicos da criptorquidia em bebês

O sinal mais comum que pode indicar a presença de criptorquidia no bebê é a diferença de tamanho entre os testículos ou a ausência palpável deles (um ou ambos) no saco escrotal, uma queixa normalmente apresentada pelos pais em consultório. 

Na consulta de rotina, o pediatra deve examinar o paciente e avaliar se aquele testículo está ou não palpável. O indicado é que o médico de fato apalpe a região e procure o testículo, que pode estar na bolsa escrotal, na virilha (região inguinal), intra-abdominal ou em outras localizações. 

Como fazer o diagnóstico e a avaliação em consultório?

Criptorquidia

A principal forma de identificar a criptorquidia é por meio do exame físico e a ultrassonografia pode ser solicitada para confirmar o diagnóstico. 

Ao examinar, será possível avaliar se o testículo é ou não palpável, e isso fará diferença na condução do tratamento, entenda:

Testículo palpável

O palpável, como o próprio nome diz, é aquele testículo que pode ser sentido durante o exame ou mesmo notado visivelmente.

Durante o exame físico, o pediatra poderá avaliar se aquele testículo palpável é retrátil ou criptorquídico. 

  • Retrátil: acontece por reflexo cremastérico ou outros motivos. Nesse caso, o profissional pode movimentar o testículo e levá-lo até o saco escrotal. Ao descer, o testículo retrátil pode permanecer na bolsa após o manuseio ou retornar facilmente ao local original. Até a puberdade, a tendência é que o testículo desça naturalmente.
  • Testículo criptorquídico: não permanece e retorna à posição original após o manuseio ou oferece grande resistência na tentativa de movimentá-lo.

Testículo não palpável

Por outro lado, quando você, ao examinar, não consegue palpar o testículo na região inguinal, existem algumas possibilidades:

  • Ele está inserido na região intra-abdominal;
  • Está dentro da região inguinal, mas por algum motivo, o profissional não consegue localizá-lo;

  • Há ausência testicular.

Nesse caso, a ultrassonografia é ainda mais recomendada. Afinal, o exame de imagem é uma forma de gerar mais conforto aos pais, ao atestar e comprovar o relato do pediatra.


Ao confirmar o diagnóstico, o pediatra geral pode encaminhar o paciente ao cirurgião pediátrico para realização do tratamento adequado.

Quais as opções de manejo e tratamento pelo pediatra?

A principal forma de tratamento à criptorquidia é a correção cirúrgica (orquiopexia), que deve, preferencialmente, ser realizada a partir de 6 meses até um ano de idade. 

Até o primeiro semestre de vida do bebê, é possível que a criptorquidia palpável melhore naturalmente e aquele testículo desça para o local correto. Após esse período, se não houver movimentação, há indicação cirúrgica, que deve ser feita o mais rápido possível após o diagnóstico, desde que depois dos 6 meses de vida. Por isso, a recomendação é que os pediatras façam apenas uma monitorização cuidadosa nos primeiros meses.

No caso dos testículos retráteis, a operação não é indicada, a princípio. 

Quais os riscos da criptorquidia não tratada?

A criptorquidia não tratada pode causar diversos riscos ao paciente, a começar pela perda da função dos testículos, isto é, a fertilidade. Isso porque, quando o testículo está fora do lugar (na região inguinal), a temperatura é mais alta do que aquela encontrada na bolsa escrotal, o que prejudica a produção de espermatozoides.

Além disso, testículos fora do lugar apresentam um maior risco de câncer testicular na vida adulta.

Por fim, é preciso considerar os problemas psicossociais associados, como os fatores emocionais e estéticos, importantes sobretudo quando a criança vai crescendo e chegando à puberdade.

Conclusão

A criptorquidia é relativamente comum entre os pacientes do sexo masculino e é importante que os pediatras gerais façam o exame físico logo nas primeiras consultas da vida do bebê. Sabemos que pode ser desafiador localizar os testículos durante a apalpação (e definir sobre o tipo de criptorquidia), em alguns casos, sobretudo entre os recém-nascidos, mas essa conduta pode ajudar muito na qualidade de vida do seu paciente com o passar dos anos.

Afinal, o diagnóstico precoce pode prevenir complicações futuras, garantir um desenvolvimento saudável os testículos e também será decisivo para orientar o pediatra quanto ao manejo adequado caso a caso.

Se você quer continuar aprendendo sobre as condutas mais recomendadas em caso de patologias, para orientar bem os pais e cuidadores, a Eludivila Especialização Pediátrica oferece a Especialização em Puericultura e Patologia, ideal para ampliar o olhar médico às especificidades.